Mujica: Impeachment de Dilma terá consequências para toda América Latina

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Presente à abertura da 3ª Conferência Nacional da Juventude, realizada no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, nessa quarta-feira (16), o ex-presidente e atual senador uruguaio, José Pepe Mujica, afirmou que as consequências de um eventual impeachment da presidenta Dilma Rousseff não afetarão apenas o Brasil, mas toda a América Latina, porque o País é determinante na região.

“Meus companheiros latinoamericanos, eu sei que o Brasil vive um drama. As classes dirigentes do Brasil não se dão conta do que estão fazendo, brincando com fogo. Doloroso, sinistro”, enfatizou.

O ex-presidente também se disse surpreso de que os brasileiros não se deem conta da gravidade dessa situação.

“Todos os dias há péssimas noticias. E como patriotas, como brasileiros, a grande luta seria tirar o Brasil do pântano. Que se faça a justiça, a justiça que se tenha que fazer. Mas acima da Justiça, acima dos que têm que ir presos, está o Brasil. Está o povo brasileiro, que trabalha, a estabilidade social, que vale mais que todo o resto”, advertiu.

“É difícil que o sistema politico, judicial, os grandes meios de comunicação, estejam conscientes do mal em que o Brasil está metido, e as consequências que têm, não só para o Brasil, mas para todos os latino-americanos”.

O ex-presidente uruguaio enfatizou que há hoje no País “uma crise de confiança, que está virando uma crise econômica”. “E a crise econômica aumenta a crise de confiança”, acrescentou.

Para Mujica, isso é uma espécie de jogo irresponsável, que paralisa o Brasil e influi em todos os vizinhos.

“Estão jogando o jogo do bom e do mal. E, na realidade, não há mal nem bom. Estão afundando o País. Humildemente faço um chamamento de atenção para as pessoas mais responsáveis. Não há ganhadores, são todos perdedores. Essa é minha humilde opinião”, concluiu.

Uruguai – Mujica lembrou que o Uruguai atravessou uma grande crise econômica em 2002. E afirmou que nem ele e nem as pessoas de seu campo político, que eram oposição à época, pensaram em tentar tirar o governo.

“Tratamos de esperar a eleição. E que o povo decidisse. Mas nem nos ocorreu que o governo tinha que cair, porque isso era pior. Tínhamos que financiar a crise. E era importante a imagem que passávamos para fora do país, porque havia uma necessidade de crédito. E se semeássemos uma imagem desastrosa para aquele que poderia colocar 1 peso, aquele que pudesse emprestar, se retrairiam. E perderíamos duas vezes”, declarou.

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do “Blog do Planalto”


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